Foi preso o autarca que pagou cruzeiro, jantaradas e dívidas com dinheiro da às custas da Junta de Freguesia que presidia.

Há suspeitas de desvio de mais de 25 mil euros, incluindo o pagamento de jantares, compras pessoais e até mesmo um livro que nunca chegou a ser publicado.

Este caso é reportado pelo Público, onde consta a condenação a cinco anos e meio de prisão efetiva e o pagamento de uma multa de 1800 euros.

O ex-autarca Fausto Santos foi presidente da junta de freguesia de Campolide, em Lisboa, e foi considerado culpado por seis crimes de peculato, dois de falsificação de documentos, um de prevaricação e outro de abuso de poderes.

O Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa considerou-o culpado pelo desvio de quase 25.200 euros dos cofres da Junta que presidiu entre 2005 e 2009.

O Tribunal considerou que o autarca teve “pouco sentido de responsabilidade e de ética, fraca interiorização dos seus deveres enquanto eleito local” e “ligeireza no exercício do cargo”, cita o jornal Público.

Em causa está, concretamente, um cruzeiro que fez com a mulher, o tesoureiro da junta, a mulher deste e duas crianças, no valor de 4710 euros. A Junta pagou 1900 euros daquele valor, “mais 707,31 de ajudas de custo ao presidente”, reporta o jornal.

O ex-tesoureiro também foi condenado a um ano e quatro meses de prisão, com pena suspensa.

O Tribunal considera ainda que Fausto Santos gastou mais de 9 mil euros da Junta em 120 jantares para “proveito pessoal”, mencionando um jantar “com 37 pessoas” que custou 720 euros, outro com “Helena Roseta e staff” no valor de 442,80 euros é uma refeição com “membros da assembleia municipal” no valor de 332 euros.

No Público, o ex-autarca defende-se e afirma que “tinha todo o direito de o fazer”, uma vez que foram jantares com elementos da autarquia ou da junta de freguesia.

O Tribunal condena também o alegado “apoio” financeiro prestado pela Junta à delegação de Benfica do Rotary Clube de Lisboa, que Fausto Santos presidiu. Em causa estão 5282 euros que saíram da Junta. No entanto, apenas apareceu o rasto de 1500 euros que correspondiam a uma “dívida pessoal do autarca ao Rotary Clube”.

O ex-presidente é ainda acusado de meter ao bolso 6150 euros do dinheiro pago por reformados, de uma viagem feita aos Açores, através da Junta.

Comprou ainda um iPhone, um computador, uma máquina fotográfica, um GPS e outros aparelhos tecnológicos com dinheiros públicos, mas para proveito próprio. Deu ordem para pagar 7150 euros no apoio a uma amiga jornalista que estaria a escrever um livro sobre “a vida de um judeu que sobreviveu ao Holocausto e vive em Portugal”, que nunca foi publicado.

O autarca diz ao Público que vai recorrer da sentença e acusa os juízes que o condenaram de serem “completamente irrealistas”.

“Não cometi crime nenhum”, afirma e diz haver “uma perfeita conspiração” contra si e o seu executivo.

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Fausto Santos queixa-se que “o tribunal não quis ouvir” as suas explicações e que “qualquer pessoa que entre lá está condenada antes de ir. E não é o Estado que tem de provar a culpa, é o cidadão que tem de dizer que não é culpado. Isto é uma autêntica subversão”.

Aguarda-se o desfecho desta polémica que está longe de terminar.